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Ciência & Saúde05 de agosto de 2026Fonte: Folha Vitória

TDAH ou excesso de telas? Saiba como diferenciar na infância

Sinais de desatenção e agitação na volta às aulas podem ser confundidos com TDAH, mas o uso excessivo de telas e o sono desregulado são grandes imitadores.

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Redação O Autista
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TDAH ou excesso de telas? Saiba como diferenciar na infância
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Entenda como a superestimulação digital, o sono ruim e a ansiedade podem mascarar ou simular o transtorno neurodesenvolvimental

Com a retomada da rotina escolar, é comum que familiares e educadores notem com maior clareza comportamentos como agitação, falta de foco e impulsividade nas crianças. Contudo, nem toda dispersão é indicativo de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Em muitos cenários, o tempo prolongado em dispositivos eletrônicos, noites mal dormidas e quadros ansiosos geram respostas comportamentais praticamente idênticas às do transtorno.

A precisão na identificação da causa é fundamental: um diagnóstico inadequado pode levar à medicação desnecessária e, por outro lado, atrasar intervenções essenciais para quem de fato vive com o TDAH.

O que mudou ou o que a pesquisa aponta?

O cérebro infantil em desenvolvimento reage intensamente aos estímulos constantes de videogames, redes sociais e vídeos curtos. Esse fluxo rápido de recompensas libera altas doses de dopamina, o que torna as atividades convencionais da rotina diária desinteressantes para a criança, gerando inquietude assim que os aparelhos são retirados.

Para diferenciar a superestimulação digital do TDAH, os especialistas destacam que o fator determinante é a persistência e a abrangência dos sintomas. Enquanto o impacto das telas tende a diminuir após algumas semanas de adequação da rotina e redução dos eletrônicos, o TDAH é uma condição neurodesenvolvimental contínua que não se altera pontualmente.

Para que a suspeita do transtorno seja levantada, é necessário observar:

  • Permanência dos sintomas por no mínimo seis meses;
  • Manifestação da desatenção ou hiperatividade em múltiplos contextos (como na escola, em casa e em momentos de lazer);
  • Prejuízos comprovados no aprendizado, na sociabilidade e no cotidiano.

Além dos dispositivos digitais, noites de sono insuficientes e quadros de ansiedade também afetam diretamente a regulação emocional e a memória do público infantil, simulando sintomas de desatenção e irritabilidade que muitas vezes se resolvem apenas com a reorganização dos hábitos de descanso.

Importante: A avaliação para o TDAH é puramente clínica, baseada em diretrizes como as do DSM-5, e envolve entrevistas com responsáveis, relatórios pedagógicos e análise do histórico da criança. Não existem exames de imagem ou laboratoriais isolados que confirmem o diagnóstico.

Impacto para a comunidade autista

Compreender o que é TDAH e o que são respostas ao ambiente é vital para a neurodiversidade, sobretudo pela frequente sobreposição entre autismo e TDAH (duplo diagnóstico ou TDAH comorbido ao TEA). Identificar corretamente a origem da desorganização atencional ou da sobrecarga sensorial evita condutas terapêuticas inadequadas e garante suportes direcionados.

O início do período letivo deve ser compreendido como uma fase de observação adaptativa. Caso as dificuldades de organização, atenção ou regulação comportamental persistam em diferentes ambientes após um período de quatro a seis semanas de rotina ajustada, torna-se recomendado buscar uma avaliação multiprofissional especializada.


Fonte: Matéria adaptada com base na publicação do veículo Folha Vitória.