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Ciência & Saúde•27 de agosto de 2026•Fonte: Bossa News

Autismo tem caminhos genéticos distintos, aponta estudo

Pesquisa de Cambridge revela que diferentes perfis genéticos explicam por que sinais do TEA surgem na infância ou apenas na adolescência.

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Redação O Autista
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Autismo tem caminhos genéticos distintos, aponta estudo

Foto: O Autista / Gerada por IA

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Pesquisa desafia modelo tradicional e demonstra que o momento do diagnóstico reflete bases biológicas diversas

A compreensão da ciência sobre a neurodiversidade acaba de dar um passo determinante para desmistificar velhos estigmas em torno do diagnóstico tardio. Um estudo longitudinal conduzido por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, comprovou que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) não segue uma linha única de desenvolvimento neurológico, sendo impulsionado por diferentes combinações de variantes genéticas ao longo da vida.

A descoberta rompe de forma contundente com o antigo conceito de que diagnósticos realizados mais tarde decorriam unicamente de “sintomas leves” ou negligência na infância, demonstrando que a trajetória clínica e o tempo de manifestação possuem raízes biológicas distintas.

O que mudou ou o que a pesquisa aponta?

A investigação científica, coordenada por Xinhe Zhan no Departamento de Psiquiatria de Cambridge, acompanhou o desenvolvimento de centenas de crianças e adolescentes ao longo de vários anos. Ao cruzar dados clínicos com mapeamentos genômicos, os pesquisadores constataram uma clara divisão nas variantes genéticas comuns associadas ao autismo:

  • Variantes de manifestação precoce: Agrupamento genético fortemente relacionado a características visíveis logo nos primeiros anos de vida, com impacto direto na comunicação social inicial.
  • Variantes de manifestação tardia: Conjunto de variantes que ganha maior relevância a partir da adolescência, apresentando forte sobreposição biológica com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e demandas de saúde mental.

Com isso, o trabalho refuta o chamado “modelo unitário”, demonstrando que os níveis médios de desafios e demandas de suporte eram similares entre os participantes, mudando apenas a época e o contexto em que as características se tornavam evidentes.

Importante: “Ajuda a explicar por que muitos casos só são reconhecidos na adolescência ou na vida adulta e reforça a necessidade de estratégias individualizadas de diagnóstico e cuidado, capazes de captar sinais que passam despercebidos na infância”, destacou Andréa Laurato Sertié, bióloga e pesquisadora do Instituto Albert Einstein.

Impacto para a comunidade autista

Para milhares de pessoas que recebem o diagnóstico na adolescência ou na fase adulta, esse achado científico valida uma vivência frequentemente marcada por dúvidas e incompreensão social. O estudo evidencia que o autismo não é homogêneo e que as barreiras adaptativas podem se tornar mais visíveis conforme as demandas sociais e acadêmicas aumentam com a idade.

Na prática clínica e pedagógica, o avanço reforça a urgência de:

  • Protocolos diagnósticos atualizados: Capacitação de educadores e profissionais de saúde para rastrear sinais em adolescentes e adultos, evitando que o sofrimento seja rotulado de forma genérica apenas como ansiedade ou isolamento.
  • Acolhimento humanizado: Redução do estigma enfrentado por famílias cujos filhos não apresentaram os marcos clássicos de autismo na primeira infância.
  • Planos de intervenção individualizados: Adequação de terapias de acordo com o perfil específico de cada indivíduo, integrando o manejo com condições coexistentes, como o TDAH.

Fonte: Matéria adaptada com base na publicação do veículo Bossa News.

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