Coroinha autista estreia em missa e emociona fiéis
Acolhimento de padre a jovem autista de 12 anos em Curitiba viraliza e reforça a importância da inclusão comunitária.

Foto: O Autista / Gerada por IA
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Exemplo de acolhimento em Curitiba mostra o valor de espaços comunitários abertos à neurodiversidade
Para muitas famílias atípicas, frequentar celebrações públicas, cultos ou eventos sociais ainda gera receio de olhares de julgamento ou incompreensão diante de estereotipias e comportamentos próprios do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Na contramão dessa barreira social, a estreia do coroinha Davi Pavim Almeida Ferreira, de 12 anos, no Santuário Perpétuo Socorro, em Curitiba (PR), transformou-se em um marco de pertencimento real e tocou mais de 120 mil pessoas nas redes sociais.
A repercussão ganhou força após a psicóloga infantil especialista em autismo Aline Abreu, de Belo Horizonte (MG), acompanhar a celebração transmitida pela internet. Ao abrir o altar e avisar os presentes com sensibilidade que Davi estava em sua primeira participação e que poderia se movimentar livremente pelo espaço sagrado, o reitor do santuário, padre Joaquim Parron, transformou a liturgia em uma aula prática de inclusão sem exigências de conformidade rígida.
O que mudou ou o que a pesquisa aponta?
A literatura sobre desenvolvimento e neurodiversidade demonstra que o bem-estar de indivíduos autistas e de seus cuidadores depende diretamente do apoio social e da validação comunitária. Quando um ambiente tradicional flexibiliza regras formais para receber o indivíduo em sua integridade, reduz-se a sobrecarga emocional materna e promove-se a autonomia do jovem.
O sacerdote destacou que a participação de Davi soma autenticidade à comunidade, tornando a cerimônia mais calorosa quando ele interage, brinca ou acena para os fiéis. Para o próprio coroinha, o serviço no altar é sinônimo de conexão espiritual e alegria pessoal. A mãe do garoto, Breda Karen Pavin, expressou o alívio de encontrar uma rede que acolhe sem reservas, destacando o impacto diário de contar com portas abertas. Como desdobramento dessa postura, o santuário curitibano já dedica celebrações mensais específicas voltadas a famílias atípicas no último domingo de cada mês.
Importante: “A presença dele já é uma alegria. Ele servindo como autista cria de fato uma coisa muito bonita, mostrando que o diferente vem para somar e não para dividir”, ressaltou o padre Joaquim Parron.
Impacto para a comunidade autista
O episódio reforça uma demanda urgente das pessoas no espectro e seus familiares: o direito de ocupar todos os espaços sociais, religiosos, culturais e de lazer sem a necessidade de camuflagem social (masking). A atitude do celebrante evidencia que adaptações de convivência não exigem estruturas complexas, mas sim escuta empática, respeito ao tempo sensorial de cada um e naturalidade diante das singularidades comportamentais.
Fonte: Matéria adaptada com base na publicação do veículo G1.
