Autistas têm maior probabilidade de se identificar como LGBTQIA+
Estudo da Universidade de Cambridge revela maior diversidade de orientação sexual entre pessoas no espectro autista e reforça a necessidade de apoio inclusivo.

Foto: O Autista / Gerada por IA
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Pesquisa de Cambridge quebra estigmas sobre afetividade e sexualidade no TEA
Durante décadas, o senso comum e até setores da comunidade médica sustentaram o mito equivocado de que indivíduos no espectro autista seriam desinteressados por relacionamentos românticos ou vida sexual. Uma ampla investigação conduzida pelo Centro de Pesquisa de Autismo da Universidade de Cambridge desconstrói essa visão antiquada, revelando que a maioria dos adultos autistas é sexualmente ativa e apresenta uma probabilidade significativamente maior de vivenciar uma ampla diversidade de orientações sexuais em comparação com pessoas neurotípicas.
O levantamento analisou as respostas anônimas de 2.386 participantes com idades entre 16 e 90 anos, divididos entre 1.183 pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e 1.203 indivíduos neurotípicos. Os resultados confirmam que 70% dos homens autistas e 76% das mulheres autistas mantêm atividade sexual, derrubando a tese de apatia relacional. Além disso, a idade da primeira relação e a taxa de diagnóstico de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) mostraram-se equivalentes entre os dois grupos.
O que mudou ou o que a pesquisa aponta?
A principal revelação do trabalho acadêmico está na interseccionalidade entre neurodivergência e diversidade de gênero e orientação afetivo-sexual. Adolescentes e adultos autistas apresentaram oito vezes mais chances de se identificar como assexuais ou com outras expressões de sexualidade quando comparados aos seus pares sem o diagnóstico.
A distribuição de gênero dentro do espectro também trouxe dados expressivos:
- Homens autistas são 3,5 vezes mais propensos a se declarar bissexuais em relação a homens não autistas.
- Mulheres autistas apresentam probabilidade três vezes maior de se identificar como homossexuais em comparação com mulheres neurotípicas.
- No comparativo direto entre os gêneros dentro do TEA, as mulheres autistas demonstraram maior índice de atividade sexual e menor taxa de heterossexualidade do que os homens autistas.
Importante: “Compreender as identidades interseccionais de indivíduos autistas que são assexuais, bissexuais, homossexuais ou de outras sexualidades é fundamental. Profissionais de saúde e educadores devem adotar uma linguagem afirmativa e acolhedora ao conduzir exames de saúde e educação sexual”, destacou a pesquisadora Elizabeth Weir, líder do estudo.
Impacto para a comunidade autista
Os desdobramentos práticos dessa pesquisa atingem diretamente o consultório médico, a sala de aula e o convívio familiar. O reconhecimento de que pessoas no espectro têm vivências afetivas plurais exige uma reformulação nos protocolos de atendimento do SUS e dos serviços de saúde suplementar, que historicamente negligenciam a educação sexual adaptada para pessoas neurodivergentes.
O suporte adequado previne o isolamento social, reduz o sofrimento psicológico decorrente do preconceito duplo — capacitismo aliado à LGBTQIA+fobia — e fortalece a autonomia do indivíduo. Criar ambientes clínicos e educacionais seguros, livres de julgamentos e informados sobre o TEA, garante que jovens e adultos autistas exerçam plenamente seus direitos, suas escolhas afetivas e preservem sua saúde mental com dignidade.
Fonte: Matéria adaptada com base na publicação do veículo University of Cambridge.
